terça-feira, 24 de setembro de 2013

Festa dos 46 Anos da Dedicação da Paróquia

Comemoramos os 46 anos de nossa Paróquia com "9 dias de Oração, alegria e convivência Fraterna", motivados pelo tema do Ano Vocacional Arquidiocesano: "Chamados a Fazer Caminho com Cristo" e impulsionados pelas palavras do Papa Francisco no lema escolhido: "Ide sem medo, para servir".
Nesta Festa pedimos por nossa comunidade, dissemos que queremos nos tornar uma comunidade fraterna, justa, solidária, humana, dispostos a juntos bradarmos e derrubarmos as muralhas. Se vamos levantar e caminhar, precisamos a exemplo dos primeiros cristãos, "perseverar na escuta atenta da Palavra, nas reuniões em comum, na fração do pão e nas orações".

No intuito de manter vivo este ideal comunitário e também guardarmos a memória destes dias, transcrevemos aqui as homilias do nosso pároco, Pe. Fabio, na sua forma original, isto é, os textos não foram escritos originalmente para publicação e estão, assim, na forma como foram proferidos nas missas.  (No 4º dia da Festa a Missa foi presidida pelo Pe. Regis Bandil e no 8º pelo Pe. Antônio Luciano de Almeida.)



Homilia da Festa dos 46 Anos da Dedicação da Paróquia – Domingo, 22 de Setembro de 2013.
Missa do 25º Domingo do Tempo Comum.
Leituras: Am 8,4-7 / Sl 112 (113),1-2.4-6.7-8 / 1Tm 2,1-8 / Lc 16, 1-13

Vivemos em uma sociedade de consumo, guiada pelo lucro, pelo possuir bens, pelo levar vantagens.
A custa de quanto sofrimento, empreendemos nossa vida?
Vós que engolis o pobre! Quem é o pobre que engolimos? O pobre daquele que nos mendiga um pouco do nosso tempo que nunca temos? A pobre da esposa que padece porque diminuímos a medida e aumentamos o preço de nosso mau humor? O pobre do paroquiano que vem ao encontro do padre esperando ser acolhido com um sorriso e encontra apenas o refugo do trigo?
O Senhor jurou pelo orgulho de Jacó: “não me esquecerei jamais de nenhum de seus atos”!
Mas o Senhor, diz o salmista, “Levanta da poeira o indigente e do lixo ele retira o pobrezinho, para fazê-lo assentar-se com os nobres, assentar-se com os nobres do seu povo”.
Paulo convida os cristãos a viver bem, onde estão. Chama-os a serem corresponsáveis com a ordem, com o mundo e com as autoridades políticas. Nossa Oração só é autêntica quando nos leva ao encontro de todos, mesmo quando neste todos, estão aqueles que não nos compreendem, nos perseguem ou fazem o mal. Afinal vamos compreender que a verdade que salva é a vida oferecida.
“Quero, pois, que os homens orem em todo lugar, levantando as mãos puras, superando todo ódio e ressentimento.”
Esta semana tivemos esta oportunidade de viver esta palavra. Tivemos a oportunidade de nos reunirmos para a Adoração Eucarística, para participarmos do sacramento da reconciliação e da eucaristia, para nos confraternizarmos e superarmos todo ódio e ressentimento.
Realizamos o Cerco de Jericó. A cidade de Jericó pode significar aquilo que nos impede de alcançarmos a realização das promessas de Deus. Mas se verdadeiramente caminhamos com aquele que já rasgou o véu do santuário e com a vitória da Cruz nos alcançou a realização de todo o projeto de salvação, o que estávamos fazendo esta semana?
Nós fizemos um Caminho com Cristo. Dia após dia nós buscamos conhecer Jesus e aprendemos com o caminho de fé de algumas pessoas:
Ele é aquele que está pronto para atender o nosso pedido. Já decidiu vir ao nosso encontro, visitar a nossa casa: A maturidade na fé do Centurião que pede por seu empregado.
Ele é aquele que interrompe o caminho dar dor, tem compaixão, e nas situações onde nada mais se espera ele diz: conheço o teu sofrimento, não precisas mais chorar eu te ordeno: levanta-te! A viúva de Naim que recebe o dom páscoa de seu filho.
Ele é Aquele anuncia a alegria do Reino, vive no meio das pessoas, aceita-as como são: os discípulos de João que veem a realização do ministério da misericórdia.
Descobrimos Aquele cujo olhar amoroso que vê não o que aparece, mas o coração e sabe o que significam os gestos. Aquele que conhece o nosso interior, Ele sabe que por mais doente que pareça a nossa alma, há nela uma marca indelével de seu amor! Que a torna saudável! Que a faz renascer: A mulher pecadora perdoada porque que mostra muito amor.
Cada um de nós poderia também partilhar como foi Fazer este caminho com Cristo!
Hoje, diante desta palavra do Evangelho quero ainda convidá-los a olharmos com atenção para o lema escolhido para esta festa: Ide sem medo para servir!
Para fazer um caminho como vos dizia ao inaugurarmos as comemorações deste nosso aniversário de 46 anos, precisa uma decisão: precisamos querer. Deus não impõe nada, ele espera. Ele nos dá o dom da fé, mas precisamos pedir. Ele quer nos curar, basta que deixemos ele nos tocar. (Sentados não iremos a lugar nenhum. Levanta quem deseja caminhar.).
Ide sem medo, nos recorda o Papa Francisco, o envio que Cristo Ressuscitado a toda a Igreja: Ide pelo mundo inteiro. Sim IDE. Não tenhais medo! Eu estarei convosco! Ide a todos. Na comunidade há lugar para todos.
Diz a carta a Timóteo: rezai por todos. A oração pelos responsáveis pela sociedade é vista como uma vantagem comum, já que todos, sem distinção são chamados a salvar-se. O destino universal da salvação e da oração está fundamentado na unicidade de Deus e na mediação de Cristo Jesus que ofereceu a Sua vida por todos.
Para servir – não podeis servir a Deus e ao dinheiro!
Sim, servir a Deus. Se nós somos ricos, não precisamos de Deus. Esta é uma lógica simples. Se nós somos ricos, não precisamos de nada, não precisamos de ninguém. O dinheiro ocupará este lugar.
Fico impressionado quando escuto alguém dizer que o que mais deseja na vida é ser rico. O que você quer ser quando crescer? Ah, eu quero ser rico!
Na comunidade isto também se reflete! É impossível sermos uma verdadeira paróquia se formos cheios, inchados, inflacionados pela riqueza. Se tudo o que possuímos não servir para construirmos relações autênticas de amizade, de corresponsabilidade, de fraternidade, de que nos servirá?
Quem são os amigos? Os pobres? Sim! Nas relações autenticas de amizade não há lugar para o poder, não há lugar para o orgulho... Quem são os amigos granjeados com a distribuição dos bens aos pobres? Não seriam Deus e os seus anjos: quando no final da vida, já não pudermos administrar os bens deste mundo nos acolherão nas moradas eternas?
Seja como for, é preciso fazer uma escolha: servir a Deus, dispondo sabiamente dos bens, ou servir ao dinheiro, deixando de lado a vida eterna.
Para servir é preciso fazer uma escolha! O Homem Rico é o Senhor: “O Senhor está acima das nações, sua glória vai além dos altos céus. Quem pode comparar-se ao nosso Deus, ao Senhor, que no alto céu tem o seu trono e se inclina para olhar o céu e a terra?”.
Todos os bens nos pertencem; as riquezas são coisas boas que o Senhor coloca a disposição de seus filhos. Nós não somos donos delas, mas simples administradores, que devemos dispor delas conforme o projeto de Deus.
46 anos! Sempre no aniversário damos uma avaliada na nossa gestão. Talvez neste processo percebamos que contraímos débitos... “Como poderemos nos justificar? Não temos nenhuma possibilidade de nos justificarmos com nossas capacidades ou coisas... a única possibilidade que nos resta é a de nos tornarmos misericordiosos, de perdoarmos as dívidas, de aliviarmos a carga do próximo: no fundo esta era a finalidade para que nos tinham sido confiados os dons de Deus, para isto é que ele nos criou e nos confiou todos os seus bens. Por isso ele nos chamou a Fazermos um Caminho com seu Filho, que se torna o Servo Sofredor, para enfim nos confiar até sua própria vida” no mistério da Eucaristia. Por ele estamos aqui! Vamos caminhar! Ele nos convoca: 
Ide sem medo para servir!


Homilia Abertura – Sábado e Domingo, 14 e 15 de Setembro de 2013.
Missa do 24º Domingo do Tempo Comum.
Leituras: Ex 32,7-11.13-14 / Sl 50 (51),3-4.12-13.17 e 19 / 1Tm 1,12-17 / Lc 15, 1-32
(No sábado, Entrega da Cruz para os Crismandos da 5ª Etapa da Iniciação Cristã)

Esta semana vamos ter a oportunidade de varrer a casa de nosso coração. Procurar em nossa paróquia a moeda perdida.
Temos também perdidas moedas de muito valor em nossas casas. Nós perdemos a infância de nossos filhos. De nos interessarmos por aquilo que pensam nossos adolescentes e jovens e observam como possibilidades de mudança. De ouvirmos os ensinamentos de nossos avos.
Moedas, Talentos perdidos, por quê? De quem e a culpa? Não importa, vamos varrer... Vamos procurar... E Vamos encontrar!
Não estaremos sozinhos. Passaremos o dia todo com o Bom Pastor. O bom pastor que dá sua vida na Eucaristia! Se pedirmos ele sairá conosco em busca na ovelha perdida, Ele sabe onde e como ela está. Ele escuta o choro da ovelha, seus medos, suas aflições, suas angustias. Retira a ovelha enroscada nos espinhos, encurralada pelos espinhos da consciência, paralisada pelas inseguranças e carências.
"Agradeço àquele que me deu força, pela confiança que teve em mim, ao designar-me para o seu serviço, a mim, que antes blasfemava, perseguia e insultava. Mas encontrei misericórdia, porque agia com a ignorância de quem não tem fé. Transbordou a graça de nosso Senhor: Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores. E eu sou o primeiro deles!".
Será especialmente uma semana para intercedermos... Se Deus desistiu do mal que faria ao povo pela Oração de Moisés, esta semana de Oração e intercessão não transformará o mal, não reduzira a pó os ídolos que querem ocupar o lugar de Deus em nossa vida?
Antes de Moisés pedir a Misericórdia: Que o coração de Deus alcance o coração do povo. Ele se revolta. Destrói o bezerro de ouro! Quebra as tábuas da aliança.
Conosco não é diferente. Estas atitudes descompensadas nos expõem. Tornam-nos frágeis. Achamos que estamos nos impondo, resolvendo os problemas, destruindo o mal pela raiz! Esquecemos que o joio e o trigo só podem ser distintos na maturidade. Estas situações justamente nos mostram nossa imaturidade! Ainda mais, se arrancarmos o joio, podemos arrancar também o trigo.
Então, Temos vontade de abandonar tudo diante das incompreensões... Julgamos o trigo joio e o joio trigo!
"Recorda-te, não te esqueças” - é um preceito fundamental da fé de Israel: com efeito no dia em que o povo esquecer-se do Senhor irá adorar ídolos. “Faz-nos um Deus que caminhe a nossa frente, porque não sabemos o que aconteceu com esse Moisés que nos tirou do Egito”. Um deus feito com nossas mãos, feito de propósito para nós, não é o Deus misterioso que se deve seguir, mas um ser inerte que nós guiamos e levamos para onde quisermos.
Neste caso até Moisés, o chefe carismático, amigo de Deus e escolhido por ele para guiar Israel, torna-se inútil, mais ainda, um obstáculo.
O que podemos fazer? Não sei! Talvez o que respondemos na palavra hoje... Qual foi a reposta que demos a Deus na liturgia da Palavra de hoje? - "Vou, agora, levantar-me, volto à casa do meu pai."
As parábolas da Misericórdia do terceiro Evangelho, contidas no capítulo 15, estão colocadas no coração da viagem para Jerusalém, onde Jesus oferecerá a Sua vida. É um caminho geográfico, mas é também um caminho espiritual, há em Lucas uma teologia.
Ele vai decididamente à frente dos discípulos aos quais pede que o sigam incondicionalmente. Há outros ensinamentos e acontecimentos, mas no centro estão as três parábolas da misericórdia. Hoje ouvimos duas delas.
Nosso Senhor está se dirigindo para Jerusalém, nossa reunião em assembleia litúrgica alcança este mesmo objetivo: nós verdadeiramente nos encontramos com o Misericordioso dom da Salvação pela Celebração do Mistério Pascoal do Senhor. Ao mesmo tempo nos propõe descobrirmos que a misericórdia é para aqueles que se põem a caminho. A quem se dirige o Filho ao entrar em Jerusalém sua cidade, como nos ensina Lucas? Ele vai ao encontro do Pai: meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus.
Para isso ele precisara abraçar a Cruz.
(Parágrafo lido somente no sábado.)
Estimados crismandos, vocês também serão recordados acerca deste autêntico dom: dar a vida. Amar é dar a vida! Quereis experimentar o verdadeiro amor? Então agarrai com força a vossa cruz! Mesmo que não compreendais ainda o que isto quer dizer, agarrai firme a vossa cruz, até o dia de tudo entregardes a Cristo e Ele vos confirmar no amor. Chegara o dia em que Cristo vos perguntará: (dirá teu nome, diga seu nome em seu coração) Tu me amas mais do que estes?
Nós nos propomos celebrar os 46 anos. Volto a perguntar-vos, o que podemos fazer?
Já temos a resposta: Vamos Fazer um Caminho com Cristo!
E já aprendemos o itinerário: "Vou, agora, levantar-me, volto à casa do meu pai."
Vou: precisamos querer. Deus não impõe nada, ele espera. Ele nos dá o dom da fé, mas precisamos pedir. Ele quer nos curar, basta que deixemos Ele nos tocar.
Vou levantar-me. Sentados não iremos a lugar nenhum. Sentamos quando chegamos a nosso destino. Levanta quem busca algo, quem está insatisfeito Quem deseja caminhar. Podemos ir longe, passemos rapidamente nossa mente desde as nossa zonas de conforto aos nossos mecanismos de defesa (ou de sobrevivência, se preferirem).
Vou Agora!: Porque agora? ...amanhã. Todos estão com pena de mim. Fico na lama, mas… pelo menos não sinto o frio do vento de quem caminha. Puxa... Ao menos aqui tem os porcos que me fazem companhia. E se ninguém quiser fazer caminho comigo. E se alguém me ferir ou me assaltar… e se… e se… e se...
Vou Voltar: voltar? Agora não dá mais! Tarde de mais! Voltar pra que? Caminhar pra que? Nunca em minha vida fui realmente feliz! E quem disse que é pra voltar pra história do passado? Quem disse que o que teu coração deseja pertence a você (é dom). Se estivesse, melhor encontraríeis sentados!
A moeda não é sua, a ovelha não é sua… Mas, se começares a varrer o passado talvez encontre uma moeda, se for nacional, provavelmente sirva pra algum colecionador… "Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Eis que estavas dentro e eu fora. Estavas comigo e não eu contigo. Exalaste perfume e respirei. Agora anelo por ti. Provei-te, e tenho fome e sede. Tocaste-me e ardi por tua paz." (S. Agostinho).
Vou (pra) Casa. Que bom quando nos sentimos em casa. Casa é mais que um prédio uma construção, é o nosso lugar. É o lugar como nos partilha Agostinho: onde experimentamos a paz! Venho a Igreja porque é um lugar de Paz, volto porque desejo a paz.
Vou (pro meu) Pai. Casa do Pai. O Pai é quem nos acolhe, quem nos ama, quem nos dá segurança para caminharmos. Como é duro quando um pai diz a um filho. Não tem mais lugar pra você nesta casa. Não lhe reconheço mais como meu filho. Não sei se existe morte maior ao coração humano quando encontra a porta da casa do pai fechada!
Esta semana será muito frutuosa para nós.
Sim, se todos nós realmente nos descobrirmos: Chamados a fazer caminho com Cristo!

Homilia 3º Dia da Festa dos 46 Anos da Paróquia
Missa da 2ª feira, 16 de Setembro de 2013. (São Cornélio e São Cipriano)
Leituras: 1Tm 2,1-8 / Sl 27 (28), 2.7.8-9 / Lc 7,1-10

Intercessão
A palavra hoje parece nos recomendar a Oração de intercessão!
“Recomendo que façam preces por todos os homens a Deus, que quer salvar a todos os homens.”
Rezar por todos - o texto grego da primeira carta a Timóteo menciona cinco vezes o adjetivo todos e cinco vezes o substantivo homem.
Unidos a Cristo o mediador da salvação revelado no mistério eucarístico: tomai é o meu sangue derramado por vós e por todos para a remição dos pecados... Assim, neste dia da memória do martírio de São Cornélio e São Cipriano nós passamos o dia em adoração!
Paulo convida os cristãos a viver bem, onde estão. Chama a serem corresponsáveis com a ordem, com o mundo e com as autoridades políticas - nossa Oração só é autêntica quando nos leva ao encontro de todos... Mesmo quando neste todos, estão aqueles que não nos compreendem, que nos perseguem ou fazem o mal. Afinal vamos compreender que a verdade que salva é a vida oferecida - uma vida Eucarística.
Testemunho
São Cornélio vive justamente no tempo de Décio e de Novaciano. Não se sabia o que fazer. Muitos sacerdotes e fieis deixavam a fé - os lapsos - batizados achavam que por causa de não conseguirem ser fieis ao batismo e caírem no pecado não mais mereceriam a salvação. Ainda mais, as perseguições que levavam muitos a apostatar da fé.
Cornélio era muito indulgente. Cipriano seu amigo e irmão no episcopado (bispo de Cartago) Capital do Império Romano do Norte da África lhe dará apoio. Especialmente através de suas cartas quando Cornélio estava exilado em civita-vecchia. Cinco anos mais tarde suportando as terríveis perseguições de Valeriano, Decio e Galo... É executado a 14 de setembro. A igreja o declara padroeiro da Africa do Norte e da Argélia. Sua festa se comemora hoje, junto a seu amigo.
Esses santos nos conclamam a fé. A fé que Encontramos no coração humano como dom!
Lucas nos mostra a identidade. O rosto misericordioso de Cristo em quatro encontros: com o centurião; com a viúva desolada com a morte de seu filho único; com a delegação enviada por João Batista e com a mulher pecadora. 
Hoje não estamos propriamente diante de mais um milagre, mas de um itinerário de fé! O Caminho da fé de um centurião romano. No plano Militar um Homem bem sucedido. Sua vida publica exemplar, era bem quisto até pelos chefes judeus.
Agora Lucas nos coloca diante da sua cainhada de fé. Como nós essa semana que nos dispusemos a fazer um caminho com Cristo! Por isso nos detenhamos aqui.
As dimensões humanas estavam bem estruturadas: era temente a Deus, por isso respeita as pessoas. De fato a religião tem para o estado esta função  de promover a ordem o bem e a justiça.
Mas o Centurião encontra sentido para caminhar na Palavra! Digo a um vai e ele vai; faze isso e ele o faz. Assim muitas vezes fazemos o caminho. Que bom quando nos dizem o que temos de fazer. É tão seguro... Tão confortável... Ter responsabilidade e difícil...
Mas aquele homem sabia o que era ser  corresponsável.
Mas o Caminho de fé, que Lucas nos permite acompanhar, o leva a reconhecer a força da Palavra de Cristo. Jesus já estava pronto para atender seu pedido,  mas ele surpreende a Cristo com uma declaração carregada de fé. Tinha consciência de ser pobre e limitado. Julgava-se pequeno e indigno diante d'aquele que pode tudo.
Este é o Senhor! Este é o rosto misericordioso de Cristo contemplado pelo centurião. Esta experiência o permite encontrar o dom de crer.
Concluímos o primeiro dia do cerco de jerico com este primeiro passo! Um passo importante: Que Cristo já decidiu vir a nossa casa! Atender nossas preces e intercessões! Ele já esta a caminho!
Por isso humildemente dizemos: dize uma palavra; uma palavra e tudo será recriado; uma palavra e serei salvo! Só tu tens palavras de vida eterna!
Queremos fazer um caminho com Cristo. Amem.


Homilia 5º Dia da Festa dos 46 Anos da Paróquia
Missa da 4ª-feira, 18 de Setembro de 2013.
Leituras: 1Tm 3,14-16 / Sl 110(111),1-2.3-4.5-6 / Lc 7,31-35


Estamos Fazendo um Caminho com Cristo!
No meio de nosso Caminho, como Jesus o fez, como eu tenho feito, e também creio que cada um de vós que diariamente vem ao encontro de Cristo, neste 5º dia, nos perguntamos acerca de nossa identidade!
Somos a igreja de Jesus? Quem somos nós? Que caminhos temos percorrido? Um olhar sincero, coerente nos põe um questionamento serio!
“A igreja é a Casa de Deus” (v. 15), isto é, o Seu templo e a Sua família, é garantia sólida e segura da verdade, ou seja, da reta fé, é ponto de referência certo, pela verdade do evangelho, isto é, pelo “mistério da piedade, da bondade divina.” (v. 16).
Ao chegar nesta comunidade há um pouco de tempo, sempre escutava: - O povo desta paroquia é festeiro. Nós gostamos de comemorar os aniversários, nos confraternizarmos nas reuniões, fazer festa para os padres, com o Pe. Idenando era assim, com Dom Celso era assim e com o senhor vai ser assim também.
Sempre acreditei que festejar, acolher, confraternizar seja importante! E sempre achei que fosse consequência de um verdadeiro conhecimento recíproco onde a alegria de encontrar aqueles a quem somos chamados a amar coincide com aquilo que desejamos e buscamos.
Na igreja proclama-se com fé a identidade de Jesus em todas as fases da Sua existência (que incluem a Encarnação e a Exaltação). Na pregação missionaria da Igreja e no acolhimento da fé por parte dos homens, Jesus revela o projeto da bondade de Deus. Na Igreja, todos os fiéis, em todos os momentos e situações poderiam sentir-se amados, acolhidos, respeitados por aqueles que lhes conhecem verdadeiramente e verdadeiramente querem se dar a conhecer.
Não quero responder a esses questionamentos hoje. Mas traze-los à luz da Palavra de Deus.
Paulo, já ancião, educa com afeto o jovem Timóteo. A leitura apresenta uma síntese densa de eclesiologia e de Cristologia.
Quereria estar fisicamente junto dele para ampará-lo, mas Timóteo deve saber que a própria Igreja é o seu amparo, o lugar onde se pode viver em serenidade e em segurança. Ela, de fato, é a casa desejada por Deus, o edifício por Ele construído como “coluna e sustentáculo da verdade” (v. 15).
Nesta casa pode haver por vezes invejas ou calúnias, mas a Igreja é maior do que os homens, pois é a esposa de Cristo, nascida do Seu lado transpassado, e com os olhos da fé vemo-la como o começo do Reino de Deus que vem.
A grandeza da Igreja provém do “mistério de amor de Deus” por nós (v. 16), isto é, de Jesus que está presente nela e é nela proclamado. Paulo celebra este mistério com um hino litúrgico e nós celebramo-lo na Eucaristia, onde encontramos Jesus Encarnado, sofredor, crucificado, morto, ressuscitado, subido ao Céu, anunciado ao mundo, acreditado.
Na celebração eucarística encontramos por isso também o mistério da Igreja.
Até que ponto a igreja e o nosso amparo? Este edifício erigido há 46 anos, é a casa desejada por Deus?
E se nós formos (não do verbo ir, mas do verbo ser) a Igreja? Que resposta daríamos nós?
Tocamos flauta e não dançastes, entoamos cânticos de luto e não chorastes!
Ou encontramos o Senhor em nossa vida de todos os dias. Ou nunca o encontraremos. O que poderíamos dizer da nossa geração? Tentamos dizer às novas gerações, vamos a Igreja é importante!
A fé é um dom que precisamos aprender a pedir a Deus, não aprendemos a fé no cursinho, não encontramos a fé na balada. Não porque isso seja errado, mas porque a fé é o dom daqueles que fazem um caminho com Cristo! Se você encontrar Jesus em seus estudos, se você descobrir Jesus nos seus amigos, se estudar com eles, se alegrar com eles por causa de Jesus, farás também um caminho de fé.
Esta página do Evangelho, onde Jesus nos apresenta João Batista, aquele que denuncia, corrige, e é rejeitado. É Ele próprio que anuncia a alegria do Reino, vive no meio das pessoas, aceita-as com são, seus convites, e é incompreendido. Faz-nos refletir…
Não são as atitudes de acolhimento ou rejeição que qualificam o evangelho, mas o fato de que Jesus realiza obras de amor. "A página do evangelho convida-nos a abrir os olhos para vermos, antes mais, as lacunas, as nossas e as da Igreja, mas para ver o Espírito Santo que opera em nós e nela! Temos de agradecer a Deus pela caridade que existe em nós. Temos de lhe agradecer porque na pequenez da Igreja, dos seus sacerdotes, das famílias, dos sacramentos, está em ação o Mistério da Bondade, isto é, do Deus que os ama."


Homilia 6º Dia da Festa dos 46 Anos da Paróquia
Missa da 5ª-feira, 19 de Setembro de 2013.
Leituras: 1Tm 4,12-16 / Sl 110(111),7-8.9-10 / Lc 7,36-50

"Deixou-se amar por Jesus"
Não descuides o dom espiritual que recebestes e te foi concedido.
A graça do batismo, do presbiterado pode esmorecer em quem a recebe, pode perder sua luminosidade, pode não ser notada na sua força.
Uma das razões da exortação contida na Carta é provavelmente a solidão em que se encontra Timóteo: depois da partida de Paulo, ele experimenta o peso das decisões que deve tomar, a fadiga da responsabilidade, a ausência de quem pode aconselha-lo.
Outra razão pode ser o fato de se sentir inadequado, demasiado jovem para a missão que lhe foi confiada e que desempenha numa situação difícil, entre dificuldades não previstas.
Uma terceira razão pode ser a negligência de sua vida espiritual, um desleixo na oração e na escuta da palavra de Deus.
Paulo recorda que é possível sair de uma situação de tibieza e renovar o dom recebido. Para reavivar o fogo interior, o Apóstolo propõe a Timóteo três compromissos: "consagrar-se à Proclamação da Escritura, à exortação e ao ensino".
Todos passamos por momentos em que parecemos esmorecer na fé. A Cruz traz a dor, o sofrimento, mas também revela as intenções dos corações. Diante do sofrimento e da cruz não é possível não nos despirmos. Assim, compreendo com muita clareza a profecia de Simeão.
Estamos fazendo um Caminho com Cristo. Este caminho como temos ouvido no evangelho de Lucas nestes dias da festa dos 46 anos de nossa paroquia. E um Caminho com Cristo que sobe a Jerusalém.
Convido-vos a lembrar: o que vai acontecer em Jerusalém? O que Cristo encontrara? Nosso Senhor encontrara a Cruz!
Se a construção deste edifício, deste templo nos recorda o templo da Jerusalém celeste a qual a Igreja peregrina alcançará, não esperemos participar da alegria desta festa sem fazermos a experiência da Cruz. Fazer um caminho com Cristo e também carregamos a Cruz com Ele.
O Evangelho descreve o itinerário de fé de uma mulher. Uma mulher pecadora, sim, uma mulher pecadora como eu e você. Ouçam o que diz um comentário acerca do evangelho de hoje:
É claro que quem é 'santo' não pode conviver com os 'pecadores' pois correrá o risco de se contaminar e se tornar um deles. Esta é a lógica da mentira e do farisaísmo que marca a vida de muitos de nós.
Ninguém é 'santo', pois só Deus é Santo, e o pecado marca a nossa existência, e quem disser que não é pecador, é mentiroso, logo não somos melhores que ninguém.
Voltemos ao caminho de fé daquela mulher. Ela é uma pecadora, mas não confessa seus pecados, não diz que está arrependida, nem promete deixar de pecar. Todavia, fala eloquentemente com os seus gestos. E como os nossos gestos falam.
O que os seus gestos revelam?
Para Simão aquela mulher é uma pecadora, ele que convidara Jesus para uma refeição, tinha uma série de preconceitos. Olhava para as mulheres com desprezo. No caso das prostitutas, este desprezo transformava-se em verdadeiro asco e repúdio.
Em sua opinião, os mestres deveriam guardar distância dessas mulheres e não se deixar tocar por elas. Também esse fariseu confundia ser profeta com ser capaz de conhecer as intenções dos outros. 
Para Jesus, seus gestos revelam que ela quer se deixar amar.
Embora fosse o convidado, Jesus censurou seu anfitrião. Este observou, com malícia, o gesto amoroso de uma pecadora da cidade que entrara em sua casa, pondo-se a banhar os pés do Mestre com suas lágrimas, a enxugá-los com seus cabelos e a cobri-los de perfume. 
Para Jesus isto era uma manifestação de amor, para o fariseu, não passava de um gesto sensual. Além disso, a ação da mulher substituíra a falta de delicadeza do fariseu, que não realizou os gestos de praxe, quando da chegada de um hóspede.
Este é a face de Jesus que o Evangelho quer nos revelar: o Seu Olhar para nós, o que Ele vê não é o que aparece, ele vê o nosso coração e por isso sabe o que significam os nossos gestos.
A medida do amor é a medida do perdão! Quer amar muito, quer ser muito amado? Comece a perdoar.
Lembram a parábola do evangelho de hoje? Qual dos dois amará mais?
Podemos fazer justiça? Exigir que se cumpram as obrigações? Que se executem as leis? Sim e claro, esta e nossa obrigação! Geralmente isto se torna muito importante quando olhamos o exterior. Julgamos, esquadrinhamos, analisamos, criticamos.
Mas este não é o olhar de Jesus, pois ele conhece o nosso interior, ele sabe que por mais doente que pareça a alma, há nela uma marca indelével do seu amor! Que a torna saudável! Que a faz renascer!
Quando Aquele que nos chamou a vida, aquele que decidiu fazer um caminho conosco, abraçou a Cruz por amor a nos diz: Por isso Seus numerosos pecados te foram perdoados, porque tens demonstrado muito amor.
Logo pensamos no coração. Mas eu senhor, tão pecador!
Ele te diz: Ao que pouco se perdoa, pouco ama!
 “Perdoados te são os pecados”.
Voltemos à palavra: quem é este que contemplamos na Eucaristia! Quem é este a quem tanto clamamos?
Os que estavam com ele à mesa começaram a dizer, então: “Quem é este homem que até perdoa pecados?”
Mas Jesus, dirigindo-se à mulher, disse-lhe: “Tua fé te salvou; vai em paz”.
Sim, Vamos fazer um caminho com Cristo!


Homilia 7º Dia da Festa dos 46 Anos da Paróquia
Missa da 6ª-feira, 20 de Setembro de 2013.
(Sto André Kim Taegon e seus companheiros, Mártires)
Leituras: 1Tm 6,2c-12 / Sl 48 (49),6-.8-10.17-18.19-20 / Lc 8,1-3

Justiça, Piedade, Fé, Caridade, Perseverança, Mansidão (v.11)

Deus nos ama e nos perdoa por puro amor. Quem não acolhe isto não é capaz de gratuidade. Na raiz dos comportamentos negativos que perturbam a vida da comunidade (invejas, discórdias, insultos, suspeitas malévolas, alterações, conf.v.4) está a falta de gratuidade, servir-se do Evangelho como fonte de lucro e de prestígio.
O que vou lucrar com isso? Isso Vale a pena? Qual é o custo benefício? O que isto vai render para mim? Puxa vida agente se dedica tanto e ninguém diz um obrigado!
Ou do lado inverso: Quem que ela pensa que é? Quem manda aqui sou eu! Se não for do meu jeito eu não faço! Junto com aquelas pessoas, fico com todo trabalho difícil e elas com o mérito, to fora! Você não sabe nada eu é que sei!
Não te inquietes quando um homem fica rico e aumenta a opulência de sua casa; pois, ao morrer, não levará nada consigo, nem seu prestígio poderá acompanhá-lo.
A avidez de dinheiro e de prestígio leva à ruína pessoas, famílias e nações. Não podemos prescindir do dinheiro, mas precisamos pedir a Deus que liberte o nosso coração do apego à riqueza e ao orgulho.
Felicitava-se a si mesmo enquanto vivo: “Todos te aplaudem, tudo bem, isto que é vida!”
Mas vai-se ele para junto de seus pais, que nunca mais e nunca mais verão a luz!
Só assim poderemos tender para a Justiça, Piedade, Fé, Caridade, Perseverança, Mansidão (conf. v.11).
A exortação de Paulo ao jovem presbítero termina na perícope de hoje com o desafio: o bom combate da fé.
Ao nos dispormos a Fazer um Caminho com Cristo para celebrarmos os 46 anos do aniversário desta paróquia, também nos encontramos com as nossas motivações para sermos uma comunidade que luta o bom combate da fé. Deus nos ama e nos perdoa por puro amor. Nós é que buscamos outras razões para amar e servir e começamos a fazer um caminho sem Cristo.
Jesus é o Filho de Deus que percorre os percursos dos homens e caminha com eles. Algumas mulheres, que se sentiram compreendidas, amadas e perdoadas por Ele, corresponderam-Lhe tornando-se Suas discípulas, seguindo-O com fidelidade até a Cruz.
Colaboraram com seu serviço colocando os seus bens à sua disposição. Na manhã da páscoa foram as primeiras a receber o anúncio da Sua ressurreição.
As mulheres não são perfeitas, nem santas por serem mulheres, mas elas têm, quando querem uma sensibilidade para acolher a gratuidade do amor de Deus.
Este é um grande dom a uma igreja, a uma comunidade, a uma paróquia.
Vejam o protagonismo das mulheres nas celebrações e festas em nossas casas, como também aqui, nesta semana.
Esta semana, o Evangelho por três vezes nos coloca diante do encontro de Jesus com mulheres: uma viúva, uma pecadora, e hoje com algumas mulheres que também tinham feito uma experiência de amor com Jesus e agora o acompanhavam no anúncio da boa nova do reino de Deus.
Estas mulheres que receberam a saúde física, emocional e espiritual, compreenderam a dignidade de sua vida, começaram a caminhar na esperança, dedicando-se a Jesus e aos apóstolos.
Elas nos ensinam hoje como nós podemos Fazer o Caminho com Cristo: não consideraram seguir a Cristo como fonte de lucro ou de prestigio, mas como serviço. Assim elas foram fazendo um caminho com Cristo até aos pés da Cruz e recebem na aurora da páscoa do Senhor o primeiro anúncio da ressurreição. E serão elas que receberão o primeiro envio missionário da Igreja que caminha com o Ressuscitado. É o privilégio do amor!
Termino esta semana -  pois amanhã a tarde já estaremos celebrando o Dia Senhor - com esta certeza: Faz um Caminho com Cristo quem faz a experiência do amor, da gratuidade daquele que quer fazer de sua vida alimento da pessoa amada.
"Nada trouxemos ao mundo, como tampouco nada podemos levar"(v.7)
Combate o bom combate da fé. Conquista a vida eterna para a qual foste chamado! 


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